Pesquisar este blog

domingo, 29 de agosto de 2010

A necessidade de ser necessária

ELA É UMA MULHER DE BOM CORAÇÃO
APAIXONADA POR UM HOMEM QUE SE DIVERTE;
ELA O AMA APESAR DE SEUS HÁBITOS PERNICIOSOS
QUE NÃO ENTENDE.

GOOD-HEARTED WOMAN

- Eu NÃO SEI como ela faz tudo isso. Ficaria louca se tivesse que lutar contra o que ela luta.
- Sabe, nunca ouvi ela reclamar!
- Por que ela suporta pacientemente a situação?
- Afinal, o que ela vê nele? Poderia conseguir algo bem melhor.

As pessoas tendem a dizer esse tipo de coisa sobre uma mulher que ama demais, ao observarem o que seria um esforço nobre de melhorar uma situação frustrante. Mas normalmente encontram-se, em suas experiências de infância, indícios que explicam o mistério de sua ligação fracassada. A maioria de nós cresce desempenhando os papéis que adotamos em nossa família de origem. Para muitas mulheres que amam demais, aqueles papéis frequentemente significavam que negavam sua próprias necessidades enquanto tentavam satisfazer as de outros membros da família. Talvez fomos forçadas pelas circunstâncias a crescer rápido demais, assumindo prematuramente responsabilidades de adultos, porque nossa mãe ou nosso pai estava doente física ou psicologicamente e não podia desempenhar as funções paternas apropriadas. Ou talvez um de nossos pais ficou ausente devido a morte ou divórcio, e tentamos preencher essa ausência, ajudando a cuidar de nossos irmãos e do outro pai.

Talvez nos tornamos a dona de casa enquanto nossa própria mãe trabalhava para sustentar a família. Ou, ainda, podemos ter vivido com ambos os pais, mas porque um deles estava zangado ou frustrado ou infeliz, e o outro não respondia em apoio, vimo-nos no papel de confidente, tendo de ouvir detalhes do relacionamento escabrosos demais para suportarmos emocionalmente. Ouvimos porque tínhamos medo das consequencias para o pai sofredor se não ouvíssemos, e medo de perder o amor se fracassássemos em desempenhar o papel que nos fora atribuído. Dessa forma, não nos protegemos, e nossos pais também não, porque eles precisavam nos ver como sendo mais fortes do que eles. Apesar de sermos imaturos demais para a responsabilidade, no final nós é que nos protegemos. E quando isso aconteceu, aprendemos bem cedo, mas muito bem, como cuidar de qualquer pessoa, menos de nós mesmas. Nossas necessidades de amor, atenção, cuidado e segurança permaneceram insatisfeitas, enquanto fingíamos ser mais poderosas e menos medrosas, mais crescidas e menos carentes do que realmente nos sentíamos. E, ao aprendermos a negar nosso próprio desejo de ser cuidadas, crescemos procurando mais oportunidades de fazer o que sabíamos tão bem: preocupar-mos com os desejos e exigências de outras pessoas ao invés de reconhecermos nosso próprios medos, nossa dor e nossas necessidades insatisfeitas. Fingimos por tanto tempo sermos crescidos, pedindo tão pouco e fazendo tanto, que agora parece tarde demais para ser a nossa vez. Então ajudamos e ajudamos, e esperamos que nosso medo se vá e que nossa recompensa seja o amor.

Um comentário:

  1. É muito facil ficar filosofando sobre a vida alheia qndo a nossa esta indo para o fossa. Mas como bem tu falou, cada um tem seu momento e seus porques.

    Beijããoo

    ResponderExcluir